Moçambique iniciou esta semana, em Maputo, a 2.ª Conferência Nacional da Qualidade, um encontro que reúne especialistas, decisores públicos, empresas e parceiros de cooperação para definir a agenda estratégica do Sistema Nacional da Qualidade (SNQ). A mensagem dominante foi clara: sem qualidade não há competitividade, segurança nem industrialização sustentável.
Organizada pelo Instituto Nacional de Normalização e Qualidade (INNOQ, IP), a conferência procura reforçar o papel das normas, da metrologia e da avaliação da conformidade como bases para um ambiente económico mais robusto e alinhado com os padrões internacionais.
INNOQ defende disciplina técnica e cultura de melhoria contínua
Na abertura do encontro, o Director-Geral do INNOQ, Eng.º Geraldo Albasini, sublinhou que o país só poderá garantir confiança e segurança nos seus produtos e serviços se adoptar, de forma consistente, as Normas Técnicas Moçambicanas.
“A aplicação das Normas Técnicas Moçambicanas tem garantido certificação, segurança, confiança e melhoria contínua.”
— Geraldo Albasini, Director-Geral do INNOQ
O dirigente destacou o empenho das empresas que mantêm regularmente os seus ciclos de certificação e reconheceu o papel fundamental dos parceiros que apoiam o desenvolvimento da cultura da qualidade no país.
A mensagem foi directa: o sector público, o sector privado e os consumidores precisam assumir a qualidade como uma prática permanente, não como uma acção pontual.
Qualidade como instrumento para industrialização e investimento
O Ministro da Economia, Basílio Muhate, afirmou que Moçambique deve consolidar uma cultura nacional de qualidade para competir no mercado regional e internacional, sobretudo num contexto económico marcado por diversificação, integração comercial e exigência crescente de padrões técnicos.
“As normas, a metrologia e a avaliação da conformidade são instrumentos essenciais para impulsionar a industrialização, atrair investimento e elevar o valor do ‘Made in Mozambique’.”
— Basílio Muhate, Ministro da Economia
Muhate pediu uma acção colectiva entre Estado, sector privado e instituições técnicas para garantir que produtos e serviços moçambicanos sejam fiáveis, eficientes e compatíveis com as exigências dos mercados externos.
Sector privado defende reformas para reduzir custos e modernizar processos
O Presidente da Confederação das Associações Económicas (CTA), Álvaro Massingue, participou igualmente na conferência e reforçou a necessidade de reformas estruturais que melhorem o ambiente de negócios e reduzam custos para as empresas.
O sector privado considera que a competitividade depende directamente da capacidade de adoptar padrões internacionais e de modernizar sistemas produtivos.
Massingue sublinhou que a qualidade deve ser tratada como um investimento estratégico:
Defendeu um envolvimento sistemático das empresas no Sistema Nacional da Qualidade, realçando a importância da “excelência operacional” para posicionar Moçambique de forma mais sólida nos mercados regionais e globais.
Conferência pretende alinhar esforços para tornar Moçambique mais competitivo
A 2.ª Conferência Nacional da Qualidade decorre numa altura em que o país aposta na industrialização, no aumento da produção interna e na expansão das exportações. A expectativa é que o encontro produza recomendações práticas e orientações técnicas para consolidar o Sistema Nacional da Qualidade e torná-lo um pilar para o crescimento económico sustentável.
Entre os temas em debate estão a certificação de produtos nacionais, a modernização dos laboratórios, o reforço da metrologia legal, a acreditação, a digitalização de processos e o papel das normas no desenvolvimento de cadeias de valor competitivas.





