A Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN) anunciou um pacote financeiro de 650 milhões de meticais, destinado à recuperação económica, criação de emprego e inclusão produtiva nas províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula, regiões severamente afectadas pelos impactos do conflito e da instabilidade social dos últimos anos.
A iniciativa insere-se na segunda fase do Programa de Estabilização e Desenvolvimento Económico do Norte, que tem como meta restaurar o tecido produtivo, promover a reintegração de deslocados e revitalizar pequenas e médias actividades empresariais.
“O investimento pretende devolver dignidade às famílias afectadas e permitir que as comunidades reconstruam a sua base económica de forma sustentável,” afirmou o director-geral da Agência, citado pela Televisão de Moçambique.
De acordo com o plano aprovado pelo Conselho de Administração, os recursos serão canalizados através de linhas de microcrédito, fundos de capacitação e programas de auto-emprego em sectores estratégicos como agricultura, pesca artesanal, comércio local, carpintaria e produção alimentar.
A Agência do Norte prevê que mais de 18 mil famílias beneficiem directamente das acções de apoio económico.
O programa vai privilegiar jovens e mulheres em idade activa, através de projectos cooperativos e iniciativas de empreendedorismo comunitário, com formação em gestão, contabilidade básica e literacia financeira.
“Não se trata apenas de injectar dinheiro, mas de criar competências locais para que as famílias se tornem auto-suficientes e reduzam a dependência da ajuda humanitária,” explicou o director provincial da instituição.
Os projectos serão implementados em coordenação com o Instituto Nacional de Emprego (INEP), o Instituto Nacional de Formação Profissional (INEFP) e as administrações distritais, de modo a garantir sinergias entre capacitação técnica, crédito e mercados de escoamento.
Em Cabo Delgado, o financiamento prioriza actividades agrícolas e pesqueiras, reforçando a segurança alimentar e o comércio rural. Já em Nampula, a aposta recai sobre pequenas indústrias transformadoras e cooperativas de mulheres, enquanto Niassa receberá incentivos para projectos de energia e infra-estruturas locais.
Apoio à reintegração de deslocados e reconstrução social
Desde 2022, mais de 900 mil pessoas deslocadas regressaram gradualmente aos seus locais de origem no norte de Moçambique. O novo financiamento surge como resposta à necessidade de consolidar a estabilidade económica e garantir que o retorno se traduza em autonomia financeira e emprego digno.
“A reintegração das comunidades deve ser acompanhada por oportunidades económicas reais. Caso contrário, a vulnerabilidade poderá perpetuar-se,” sublinhou um representante da Organização Internacional para as Migrações (OIM), parceira técnica do programa.
As autoridades locais consideram o plano essencial para restaurar a confiança nas instituições e no próprio território.
O administrador distrital de Mocímboa da Praia destacou que a reconstrução económica é “o verdadeiro alicerce da paz”.
“As estradas estão a ser reabilitadas, o comércio voltou a funcionar e as populações estão a retomar a produção. O apoio da Agência do Norte chega num momento crucial,” afirmou.
Reforço da coordenação institucional
O Ministério da Economia e Finanças acompanha directamente a execução do programa, que será avaliado trimestralmente através de indicadores de impacto social e económico.
Os relatórios incluirão dados sobre criação de emprego, rendimento médio das famílias beneficiárias, volume de produção local e novos empreendimentos formalizados.
O Governo considera o investimento um pilar de estabilidade nacional, integrado no Plano Quinquenal 2025–2029 e alinhado com a Estratégia Nacional de Desenvolvimento Sustentável.
“A reconstrução do norte é uma prioridade transversal do Executivo. A Agência do Norte é o nosso braço operacional para garantir que o crescimento chegue a todos,” declarou um porta-voz do Ministério da Economia.
O pacote financeiro conta ainda com contribuições do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que asseguram apoio técnico e auditoria independente das operações.
Essas parcerias garantem transparência na gestão dos fundos e sustentabilidade das acções implementadas.
Com este novo impulso, a Agência do Norte consolida-se como um dos principais instrumentos do Estado para transformar a reconstrução em desenvolvimento duradouro, promovendo inclusão, paz e produtividade no território.





