O político moçambicano António Muchanga alertou para o risco de a RENAMO enfrentar um desempenho eleitoral ainda mais negativo caso participe nas próximas eleições sem uma profunda reorganização interna.
As declarações foram feitas durante o programa Expresso da Manhã, da TV Sucesso, onde defendeu a necessidade urgente de mudanças na liderança e na estrutura do partido.
“Se a RENAMO for às eleições da forma como está, vamos ter um desastre pior do que aquele que tivemos anteriormente.”
Segundo Muchanga, há uma forte pressão interna para a realização de um congresso extraordinário, com o objectivo de permitir a emergência de uma nova liderança capaz de preparar o partido para os próximos desafios eleitorais.
“Os combatentes pediram ao presidente que se afastasse da liderança para permitir que o partido se reorganize. É preciso que o partido se organize, tendo em conta os prazos eleitorais.”
O político explicou que o calendário eleitoral impõe urgência, uma vez que as eleições autárquicas exigem preparação antecipada, o que obriga a decisões rápidas no seio do partido.
Falta de tempo preocupa dirigentes
Muchanga destacou que, nas condições actuais, não há margem para esperar por um congresso ordinário, previsto apenas para 2029, sendo inevitável a convocação de um encontro extraordinário ainda este ano.
“Não há hipótese de um congresso ordinário. Tem que ser um congresso extraordinário, para permitir que a nova liderança assuma os destinos do partido a tempo de preparar as eleições.”
Para o dirigente, a ausência de uma liderança renovada poderá comprometer seriamente a capacidade da RENAMO de competir de forma eficaz.
Durante a entrevista, Muchanga defendeu o surgimento de uma liderança mais pragmática e alinhada com a realidade política actual, capaz de tomar decisões estratégicas em benefício do partido.
“Gostaria de ver um líder que não tenha os mesmos vícios da actual liderança, alguém capaz de perceber quando deve recuar e criar espaço para outras soluções.”
O político sublinhou ainda que a liderança partidária não deve ser automaticamente associada à candidatura presidencial, defendendo maior flexibilidade estratégica dentro da organização.
A entrevista expôs as tensões internas na RENAMO e reforçou o debate sobre o futuro do partido, num momento em que se aproxima um novo ciclo eleitoral em Moçambique.





