O partido ANAMOLA atravessa um momento de forte turbulência interna, com a nomeação de novos coordenadores a provocar dissidências e tensões entre os membros, sobretudo na região de Nacala, colocando à prova a coesão e a transparência da organização.
Os membros de Nacala questionaram a nomeação de Abubacar como coordenador regional, alegando ausência de consenso e responsabilizando-o por decisões controversas que terão exposto integrantes do partido a situações problemáticas na SERNIC. Os dissidentes afirmaram não reconhecer a autoridade do coordenador e advertiram que poderão abandonar o partido caso as suas reivindicações não sejam atendidas.
“Se o partido ANAMOLA é do povo, o povo somos nós. Abubacar, fora!”, afirmaram em declarações públicas, demonstrando a frustração crescente entre os membros que se sentem marginalizados.
Apesar da crise, a direção do ANAMOLA reforça que a realização de eleições distritais e provinciais evidencia o compromisso do partido com princípios democráticos, rejeitando ordens superiores ou obediência cega. A instituição anunciou que irá proceder à validação e proclamação dos resultados eleitorais a nível provincial e da diáspora, sublinhando a importância do processo como mecanismo de transparência e participação cidadã.
Renúncia de membros históricos
A tensão interna intensificou-se com a renúncia de Abelha Rainha, membro histórico e apoiante ativo, que decidiu afastar-se do partido devido a divergências internas e alegada marginalização. Em declarações públicas, Abelha Rainha afirmou que prefere manter a dignidade pessoal a permanecer num contexto de conflitos e processos disciplinares que poderiam levar à sua suspensão ou expulsão.
“Existem pessoas que têm dignidade e preferem se afastar… prefiro ficar sem partido. Espero que o meu nome seja retirado dos registos de membro”, declarou, criticando a gestão interna da liderança e destacando a centralidade de Abubacar na crise.
O episódio evidencia os desafios do ANAMOLA, fundado a 15 de Agosto de 2025, na consolidação de uma cultura interna democrática e na gestão de divergências entre membros. O futuro do partido dependerá da capacidade de reconciliar posições, restaurar a confiança interna e reforçar a sua credibilidade perante os eleitores e a sociedade moçambicana.





