O porta-voz do Anamola, Dinis Tivane, rejeitou qualquer afastamento ou desentendimento com a direcção do partido e garantiu que continua “de corpo e alma” ligado à organização, numa altura em que a sua ausência dos holofotes vinha alimentando especulações sobre eventuais tensões internas.
Em entrevista ao programa Especial Informação, da MBC TV, Tivane explicou que o seu menor aparecimento público nos últimos tempos não resulta de divergências com a liderança, mas sim de uma redistribuição de tarefas dentro do partido, que, segundo disse, está agora mais estruturado e com novos rostos na área da comunicação.
Porta-voz e as desavenças com a liderança
Questionado sobre a percepção de que teria sido eclipsado no Anamola, sobretudo depois de ter aparecido durante vários meses lado a lado com Venâncio Mondlane, Dinis Tivane desvalorizou a leitura de crise e disse que a organização está numa nova fase.
Segundo o dirigente, o partido deixou de depender apenas de uma ou duas figuras para comunicar, passando a contar com um secretário-geral, um departamento de imprensa e uma estrutura de comunicação mais consolidada.
“Se dá a sensação de que eu estou sumido ou desavindo com o Anamola ou com Venâncio Mondlane, é porque de certa maneira Dinis Tivane em algum momento também podia ter capturado atenções.”
Tivane insistiu que a sua ausência mediática coincide com o início das conferências internas e com novas missões políticas que passou a desempenhar em diferentes províncias, incluindo Gaza, Tete, Manica e África do Sul.
“O partido está de excelente saúde”
Ao procurar dissipar dúvidas sobre a sua relação com a direcção, Dinis Tivane garantiu que o Anamola atravessa uma fase de crescimento organizativo e que não existe qualquer ruptura com Venâncio Mondlane.
“Anamola, internamente, goza de excelente saúde. Não há nenhuma desavença entre Dinis Tivane, Anamola, Dinis Tivane e Venâncio Mondlane.”
Apesar disso, reconheceu que o partido enfrenta dificuldades financeiras e apelou aos membros e simpatizantes para reforçarem o pagamento de quotas e o apoio à organização.
Segundo explicou, o entusiasmo político inicial não foi suficiente para assegurar a robustez financeira que o partido esperava atingir nesta fase.
Tivane denuncia perseguição contra membros do partido
Durante a entrevista, o porta-voz aproveitou para denunciar aquilo que classificou como perseguição a membros do Anamola, citando a invasão da casa de um coordenador do partido na Matola por agentes do SERNIC.
Segundo relatou, um grupo de cerca de 10 a 15 agentes terá arrombado a residência à procura do dirigente, numa acção que, segundo disse, não foi acompanhada da apresentação de qualquer mandado.
Tivane afirmou que o caso foi denunciado à Procuradoria e voltou a acusar as autoridades de manterem uma postura de perseguição selectiva contra membros do Anamola.
O dirigente criticou ainda os partidos signatários do diálogo nacional inclusivo, acusando-os de não defenderem a participação de Venâncio Mondlane e do Anamola no processo.
Na sua leitura, RENAMO, MDM e PODEMOS não têm demonstrado vontade política para integrar o movimento no diálogo, apesar do peso político que atribui a Mondlane no actual cenário nacional.
Tivane considerou que essa postura levanta dúvidas sobre o real compromisso da oposição com uma actuação conjunta em defesa do Estado de direito democrático.
Convenção em Junho e foco nas autárquicas
Sobre o futuro do partido, Dinis Tivane anunciou que o Anamola realizará em Junho a sua primeira convenção nacional, encontro que deverá oficializar a liderança definitiva da organização e aprovar directrizes para os próximos desafios eleitorais, incluindo as autárquicas de 2028.
Segundo explicou, o partido já realizou eleições internas em distritos e províncias e está agora a consolidar a sua implantação territorial.
Ao mesmo tempo, deixou críticas ao actual contexto político e económico do país, defendendo que Moçambique continua marcado por instabilidade institucional, partidarização do Estado e fragilidade democrática.
No essencial, Dinis Tivane procurou afastar a ideia de que tenha sido marginalizado dentro do Anamola, sustentando que a sua menor exposição pública faz parte de uma nova dinâmica interna do partido, e não de uma disputa de protagonismo com o líder.





