A Primeira-Ministra, Maria Benvinda Levi, dirigiu ontem, em Maputo, em representação do Daniel Francisco Chapo, a cerimónia de abertura da reunião dos Ministros Africanos do Comércio, dedicada à reflexão sobre o futuro do comércio africano no sistema multilateral.
Na sua intervenção, a governante defendeu a necessidade de os países africanos adoptarem uma posição concertada nas instâncias internacionais, sublinhando que a força negocial do continente depende da coesão interna.
“É fundamental que África fale a uma só voz e advogue uma posição comum na procura de soluções para os desafios que afectam o nosso continente”, afirmou Maria Benvinda Levi.
A Primeira-Ministra destacou, entre as prioridades, a urgência de um debate aprofundado sobre a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC), defendendo um modelo mais equilibrado e sensível às necessidades das economias africanas.
“Precisamos de uma reforma equilibrada da Organização Mundial do Comércio que assegure o comércio internacional como verdadeiro motor de desenvolvimento”, declarou Maria Benvinda Levi.
Agricultura, comércio electrónico e países menos avançados
Maria Benvinda Levi advogou igualmente uma abordagem mais justa nas negociações agrícolas, considerando que milhões de famílias africanas dependem directamente da agricultura para a sua subsistência.
“As negociações agrícolas devem promover o desenvolvimento sustentável das famílias que dependem da agricultura e eliminar distorções prejudiciais aos nossos produtores”, sublinhou a Primeira-Ministra.
A governante defendeu ainda o enquadramento adequado do comércio electrónico, com vista à inclusão digital e ao reforço da capacidade tecnológica dos países africanos, bem como um tratamento diferenciado e favorável para os países menos avançados.
No seu discurso, apelou também ao reforço do papel institucional da União Africana na coordenação das posições continentais.
Conferência Ministerial em Yaoundé
Num outro desenvolvimento, Maria Benvinda Levi salientou que as mudanças climáticas e os elevados níveis de pobreza devem constar entre os temas centrais a serem defendidos pelos países africanos na 14.ª Conferência Ministerial da OMC, a realizar-se em Yaoundé, nos Camarões, de 26 a 29 de Março do corrente ano.
“As mudanças climáticas e a pobreza continuam a ser desafios estruturais que exigem respostas firmes e coordenadas no quadro do comércio multilateral”, afirmou Maria Benvinda Levi.
A reunião dos Ministros Africanos do Comércio em Maputo visa harmonizar posições e consolidar uma agenda comum que permita a África intervir com maior influência nas negociações internacionais, reforçando o papel do comércio como instrumento de transformação estrutural, redução da pobreza e promoção do desenvolvimento sustentável.





