O Ministério das Finanças anunciou a contratação da consultora norte‑americana Alvarez & Marsal para apoiar o Governo na implementação de reformas fiscais e na gestão da dívida pública. A decisão surge na sequência de um relatório crítico do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a economia moçambicana.
O anúncio foi feito um dia depois de o Conselho Executivo do FMI ter concluído que Moçambique enfrenta um ambiente macroeconómico complexo, caracterizado por crescimento moderado, vulnerabilidades fiscais e da dívida, e redução da ajuda externa.
O relatório, elaborado ao abrigo do Artigo IV, confirma que apesar de alguns avanços: como a retoma do projecto Mozambique LNG, a estabilidade da inflação e o aumento das reservas internacionais líquidas, persistem fragilidades nas políticas fiscais e cambiais.
Críticas do FMI e papel da Alvarez & Marsal
O Fundo alertou que:
- Os défices fiscais elevados e a falta de flexibilidade cambial podem agravar vulnerabilidades macroeconómicas.
- O crescimento fora do sector mineiro deverá manter‑se em torno de 2% ao ano, reflectindo o fraco dinamismo do crédito.
- A inflação poderá ultrapassar a meta implícita do Banco de Moçambique, pressionada pelo financiamento monetário dos défices.
O FMI prevê que a economia só ganhe maior fôlego a partir de 2030, quando as exportações de gás natural liquefeito do projecto Mozambique LNG começarem a ter impacto significativo. Uma eventual paralisação do projecto, revista para 2029, é considerada risco adicional devido à insurgência em Cabo Delgado.
A Alvarez & Marsal irá prestar assessoria financeira ao Governo em três áreas centrais:
- Reforma da dívida pública.
- Implementação de reformas estruturais.
- Negociação de um novo programa apoiado pelo FMI.
O comunicado oficial não especifica o custo da assessoria nem a duração do contrato.
A firma norte‑americana é conhecida por gerir processos de recuperação de grandes empresas em crise. Um dos casos mais mediáticos foi a falência do banco Lehman Brothers, em que a Alvarez & Marsal recebeu cerca de 500 milhões de dólares em honorários ao longo de três anos após o colapso da instituição.





