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Mais de 132 mil agricultores afectados pelas cheias

Por Redacção Checka Moz.

Mais de 132 mil agricultores foram afectados pelas cheias e inundações registadas desde o início da época chuvosa em várias regiões do país, com destaque para as zonas Centro e Sul, onde as chuvas intensas provocaram perdas significativas em áreas de produção agrícola, revelou a presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Luísa Meque, ao fazer o ponto da situação dos impactos acumulados.

Segundo Luísa Meque, desde 1 de Outubro do ano passado, período que marca o início da época chuvosa, as intempéries afectaram extensas áreas agrícolas, comprometendo os meios de subsistência de milhares de famílias que dependem da agricultura de sequeiro.

“Até ao momento, registámos cerca de 132 mil agricultores afectados, como resultado das cheias e inundações que destruíram campos agrícolas em várias províncias”, explicou Luísa Meque.

Mais de 45 mil hectares de produção perdidos

Os dados apresentados indicam que aproximadamente 45.459 hectares de áreas agrícolas foram perdidos em consequência directa das chuvas intensas, afectando culturas diversas e agravando a insegurança alimentar em comunidades já vulneráveis.

De acordo com o INGD, estas perdas agrícolas revelam‑se particularmente graves por ocorrerem numa fase crucial do ciclo produtivo, colocando em risco a produção da presente campanha agrária.

Para além da agricultura, as cheias causaram prejuízos consideráveis na pecuária, com a perda de cerca de 334.121 animais, entre bovinos, caprinos e aves, agravando a situação económica das famílias rurais.

O sector da pesca não escapou aos impactos das intempéries, tendo sido danificadas 115 embarcações e mais de 3.200 artes de pesca, afectando directamente comunidades dependentes da actividade pesqueira.

As cheias e inundações provocaram ainda danos extensos em infra‑estruturas de suporte à produção, incluindo estradas de acesso, aquedutos e sistemas de abastecimento de água, factores que dificultam o escoamento da produção e o acesso a mercados.

De acordo com o levantamento do INGD, mais de 4.900 quilómetros de estradas ficaram danificados, agravando o isolamento de várias zonas de produção agrícola.

Centros de acomodação acolhem deslocados rurais

Como consequência directa dos impactos das cheias, milhares de famílias agricultoras foram forçadas a abandonar as suas áreas de residência, procurando refúgio em centros de acomodação abertos pelo Governo em zonas mais seguras.

Actualmente, encontram‑se activos 68 centros de acomodação, que acolhem mais de 91 mil pessoas, muitas das quais provenientes de zonas agrícolas severamente afectadas pelas intempéries.

A presidente do INGD advertiu que os números avançados não são definitivos, uma vez que a época chuvosa ainda decorre e novas situações de cheias continuam a ser registadas em diferentes pontos do país.

“Continuamos a actualizar os dados à medida que a informação vai sendo recolhida no terreno, tendo em conta que ainda estamos dentro da época chuvosa”, sublinhou Luísa Meque.

As autoridades reforçam os apelos à vigilância nas zonas de risco e asseguram que continuam a mobilizar apoio humanitário e técnico para mitigar os impactos das cheias, com particular atenção às comunidades agrícolas afectadas.

 

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