As cheias e inundações registadas desde o início da época chuvosa já afectaram cumulativamente 645.781 pessoas correspondentes a 122.863 famílias, em diferentes regiões do país, revelou a presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), Luísa Meque, fazendo o ponto de situação sobre os impactos causados pelas chuvas intensas que assolam Moçambique desde Outubro do ano passado.
Segundo a dirigente, as precipitações registadas, sobretudo nas regiões Centro e Sul, têm sido normais a acima do normal, provocando cheias e inundações sucessivas, com impactos significativos em comunidades, infra‑estruturas e meios de subsistência.
“Desde o início das chuvas, estamos a registar impactos em várias províncias do país, com destaque para os efeitos das cheias e inundações na região Sul, que continuam a causar grandes danos”, explicou Luísa Meque.
Período recente registou vítimas mortais
No período compreendido entre 21 de Dezembro e 19 de Janeiro, foram registados 11 óbitos, um ferido e um desaparecido, em consequência directa das cheias e inundações ocorridas em quase todo o território nacional.
Durante o mesmo período, cerca de 594.000 pessoas foram afectadas, correspondentes a aproximadamente 11.937 famílias, tendo sido registados danos significativos em habitações e infra‑estruturas sociais.
De acordo com os dados apresentados, 4.439 casas foram parcialmente destruídas, 1.603 totalmente destruídas e 72.456 residências ficaram inundadas. O sector social registou igualmente impactos relevantes, com 30 unidades sanitárias afectadas, duas casas de culto danificadas e extensos prejuízos ao nível das vias de acesso.
“Registámos também cerca de 786 quilómetros de estradas afectadas, o que compromete a mobilidade e o acesso a várias comunidades”, disse a presidente do INGD.
Educação, agricultura e energia em risco
O sector da educação foi igualmente afectado, com 61 escolas danificadas, totalizando 108 salas de aula e vários blocos administrativos comprometidos. Três pontes e dez aquedutos ficaram destruídos, agravando o isolamento de algumas zonas.
Na agricultura, as perdas incluem cerca de 334.121 animais, entre bovinos, caprinos e aves, bem como 104.621 hectares de áreas agrícolas destruídas, afectando directamente 47.000 agricultores.
Para responder à emergência, foram abertos 77 centros de acomodação, dos quais 66 se encontram actualmente activos, albergando 60.866 pessoas deslocadas das zonas de risco.
A dirigente explicou que estes centros acolhem populações retiradas preventivamente para áreas mais seguras, com o objectivo de reduzir a perda de vidas humanas.
Balanço acumulado da época chuvosa é preocupante
Apresentando os dados acumulados desde o início da época chuvosa, a 1 de Outubro, Luísa Meque indicou que, além das mais de 645 mil pessoas afectadas, foram registados 112 óbitos, 99 feridos e três desaparecidos.
Em termos de infra‑estruturas, contabilizam‑se 11.233 casas parcialmente destruídas, 4.883 totalmente destruídas e 73.374 casas inundadas. Foram igualmente afectadas 56 unidades sanitárias, 44 casas de culto, 462 salas de aula e várias pontes e aquedutos.
A presidente do INGD advertiu que os números apresentados não são definitivos, uma vez que a época chuvosa ainda decorre e novas situações de cheias continuam a ser registadas em várias províncias.
“Estes dados continuam a ser actualizados à medida que avançamos na recolha de informação no terreno, tendo em conta que ainda estamos dentro da época chuvosa”, sublinhou Luísa Meque.
As autoridades mantêm os esforços de monitoria e resposta activa, apelando à vigilância das comunidades em zonas de risco e ao reforço das medidas de prevenção face à continuação das chuvas.





