Moçambique pretende, a partir deste ano, dar um salto qualitativo e quantitativo no seu efectivo pecuário através da importação de embriões de gado geneticamente melhorado do Brasil, numa estratégia que visa fortalecer a produção nacional de carne bovina e reduzir a dependência externa. A intenção foi manifestada em Maputo pelo director de Cooperação e Investimento do Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, Jaime Chissico, durante um encontro com empresários.
“O Brasil é hoje líder mundial na exportação de carne bovina, resultado de uma forte capacitação humana na geração de produção e de factores estruturais determinantes, como a ampla disponibilidade de terra, água e pastos. Estes recursos permitem a transformação eficiente da genética no animal, aliada a um clima favorável, condições que Moçambique também dispõe e que precisa de investimentos e tecnologia certa para também se tornar competitivo no mercado”, frisou Jaime Chissico.
Tecnologia e padrões sanitários como chave para novos mercados
Chissico destacou que o país deve apostar na tecnologia e melhoramento genético como ferramentas-chave para alcançar melhores carcaças, aumentar a produtividade e controlar pragas e doenças.
“O acesso a diferentes mercados passa necessariamente pelo cumprimento rigoroso de padrões sanitários e pela adopção de tecnologias modernas”, sublinhou o responsável.
Entre as vantagens do modelo brasileiro está a lavagem de carcaças nos matadouros, uma prática que reduz desperdícios e melhora a qualidade final do produto. Outro pilar fundamental é a biossegurança, considerada um requisito permanente.
O Brasil, por exemplo, registou um caso de gripe aviária em Maio, mas graças a protocolos sanitários robustos conseguiu retomar o estatuto de país livre da doença em apenas dois meses. Este modelo, segundo Chissico, deve servir de referência para Moçambique, garantindo maior controlo em toda a cadeia produtiva.
O plano nacional inclui ainda o fortalecimento do cooperativismo, criando escalas produtivas, blocos organizados e maior facilidade de assistência técnica, transformando a actividade agropecuária numa fonte sustentável de rendimento orientada pelo mercado.
Paralelamente, o país quer privilegiar parcerias de pesquisa com empresas brasileiras de investigação agropecuária, visando formar investigadores moçambicanos, gerar resultados científicos e desenvolver variedades adaptadas às condições locais e às mudanças climáticas.





