Moçambique deu hoje um passo decisivo rumo à industrialização e à transformação digital com o lançamento da primeira pedra da primeira fábrica nacional de dispositivos electrónicos, a ser instalada no Parque Industrial de Beluluane.
O projecto, avaliado em cerca de três milhões de dólares norte-americanos, prevê a montagem local de telemóveis, laptops e, numa fase posterior, pequenos electrodomésticos, tornando-se a primeira unidade especializada em electrónica a operar no país.
A unidade industrial contará com duas linhas de montagem semi-automáticas, com aproximadamente 40 metros cada, capazes de produzir 80 mil unidades por mês numa fase inicial, com potencial de expansão até 300 mil unidades mensais.
A produção abrangerá:
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telemóveis 2G e 4G do tipo feature phone;
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smart feature phones 4G;
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smartphones de gama média;
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laptops.
Segundo os promotores, a fábrica poderá reduzir entre 14 e 15 por cento a necessidade anual de importação de telemóveis, respondendo à procura nacional e regional.
Industrialização como base da independência económica
Intervindo na cerimónia, o Ministro das Comunicações e Transformação Digital, Américo Muchanga, afirmou que a iniciativa materializa a visão do Presidente da República de alcançar a independência económica através da industrialização.
“Todos os serviços e oportunidades da economia só se elevam se houver industrialização à sua volta. É na base da industrialização que aumentamos o valor das matérias-primas e criamos emprego para jovens e mulheres”, afirmou.
O governante sublinhou que a fábrica vai além da simples montagem de equipamentos, ao facilitar o acesso dos cidadãos aos serviços do Estado e fortalecer a transformação digital em todo o território nacional.
“Esta unidade é também um embrião de inovação. Os trabalhadores aqui formados terão capacidade de inovar, transmitir conhecimento e impulsionar o surgimento de novas fábricas e soluções tecnológicas feitas em Moçambique”, explicou.
Emprego, formação e valor acrescentado nacional
Américo Muchanga destacou ainda que o impacto do projecto será sentido na:
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formação de mão-de-obra qualificada;
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criação de empregos para jovens e mulheres;
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redução da dependência de importações;
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aumento do valor agregado das matérias-primas locais.
Segundo o ministro, à medida que a indústria electrónica se consolide, Moçambique poderá tornar-se mais competitivo e independente no sector tecnológico.
Na mesma ocasião, o Governador da Província de Maputo realçou a importância do Parque Industrial de Beluluanecomo plataforma estratégica para a industrialização, recordando que, na sequência de um memorando com a Moço Parque, os custos de acesso ao parque foram reduzidos em 90 por cento.
A medida permitiu a entrada de 15 empresas, contribuindo para a criação de emprego, o dinamismo económico provincial e o aumento da base fiscal.
Produção faseada e reforço da capacidade tecnológica
Por sua vez, o representante da Moz-Source explicou que a fábrica iniciará a produção com telemóveis, avançando posteriormente para a montagem de laptops.
Segundo o responsável, esta abordagem faseada consolida a capacidade tecnológica nacional, reforça a formação técnica e contribui para a independência tecnológica de Moçambique.
A implementação da fábrica é vista como um marco estratégico para o desenvolvimento industrial e digital do país, ao combinar capacitação de recursos humanos, substituição de importações, geração de emprego directo e indirecto e reforço da arrecadação fiscal, posicionando Moçambique como um novo actor emergente na indústria electrónica regional.





