Moçambique, Malawi e Zâmbia deram um novo passo estratégico no reforço da integração regional, com a assinatura da Declaração Ministerial sobre a Extensão da Linha Férrea de Nacala até Serenje, na Zâmbia, uma iniciativa que visa potenciar o comércio, a logística e o desenvolvimento económico partilhado na África Austral.
A decisão foi tomada durante uma reunião tripartida dos Conselhos de Ministros dos três países, dedicada à reflexão sobre o papel estratégico do Porto e Corredor de Desenvolvimento de Nacala no futuro da região e do continente africano.
Porto de Nacala como infra-estrutura regional estratégica
Intervindo no encontro, o João Matlombe, Ministro dos Transportes e Logística, sublinhou que o actual momento exige acção concreta por parte dos líderes africanos.
“O tempo de África é agora. Não podemos continuar a adiar decisões estratégicas com discursos sem acção. O desenvolvimento do nosso continente depende da união dos seus líderes e da capacidade de transformar compromissos em resultados concretos”, afirmou.
Segundo o governante, o Porto de Nacala, pela sua localização privilegiada no Oceano Índico, deve ser encarado como uma infra-estrutura regional, colocada ao serviço dos países do interior.
“Nacala deve ser entendido como porto da região. Só assim fará sentido a integração regional. O Porto de Nacala possui um valor único e um potencial estratégico capaz de transformar profundamente as economias do Malawi, da Zâmbia e da República Democrática do Congo”, explicou.
Investimento de 300 milhões USD já realizado
João Matlombe recordou que um passo decisivo já foi dado com a modernização do Porto de Nacala, fruto de um investimento avaliado em cerca de 300 milhões de dólares norte-americanos, que tornou a infra-estrutura mais eficiente, competitiva e apta a responder às exigências do comércio regional e internacional.
“O primeiro passo foi a modernização do porto. Agora, a fase seguinte consiste na melhoria do corredor ferroviário, um elemento crucial para afirmar Nacala como motor da integração regional e catalisador de desenvolvimento económico partilhado”, disse.
A extensão da Linha Férrea de Nacala até Serenje, na Zâmbia, surge como um projecto estruturante, destinado a consolidar a ligação entre Moçambique, Malawi e Zâmbia, com impacto directo na circulação de mercadorias, redução de custos logísticos e dinamização das economias nacionais.
De acordo com o Ministro, Moçambique manifesta total abertura para facilitar o planeamento logístico dos países vizinhos a partir do seu território.
“Moçambique está pronto para oferecer facilidades adicionais aos países irmãos, permitindo que planifiquem o seu desenvolvimento logístico sem barreiras. Mas também precisamos do Malawi, da Zâmbia e da RDC para cumprir a nossa missão de integração regional”, afirmou.
Corredor de 2.400 km como símbolo de cooperação africana
O projecto de extensão prevê uma ligação ferroviária com cerca de 2.400 quilómetros, conectando Moçambique ao Malawi, à Zâmbia e à República Democrática do Congo, reforçando o posicionamento do Corredor de Nacala como um dos principais eixos logísticos da África Austral.
“Precisamos uns dos outros. Este corredor ferroviário será um exemplo de cooperação africana e de visão estratégica partilhada”, destacou João Matlombe.
A assinatura da Declaração Ministerial representa um compromisso político claro dos três países em aprofundar a integração regional, promover infra-estruturas partilhadas e criar condições para uma prosperidade sustentável, baseada na cooperação, complementaridade económica e visão comum de desenvolvimento africano.





