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Diplomacia económica abre novas perspectivas para Moçambique

Diplomacia económica gera compromissos históricos

Por Redacção Checka Moz.

O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, afirmou hoje, na Assembleia da República, que o país atravessava desafios profundos no início do actual ciclo governativo, marcados por instabilidade económica e social, num contexto agravado pelo terrorismo, cheias, ciclones, pandemia da covid-19 e, sobretudo, por manifestações violentas, ilegais e criminosas que impactaram severamente a economia nacional.

Intervindo no quadro do informe à Casa do Povo, o Chefe do Estado sublinhou que este cenário exigiu decisões firmes, liderança activa e uma mudança clara de abordagem na política externa do país.

“Encontrámos um país funcional, mas profundamente fragilizado. Não podíamos ficar de braços cruzados enquanto o povo enfrentava dificuldades e a economia estava sob forte pressão”, afirmou Daniel Chapo.

Perante esta realidade, o Presidente explicou que o Governo decidiu assumir a diplomacia económica como eixo central da acção internacional, com o objectivo de atrair investimento, criar emprego, dinamizar a economia e melhorar as condições de vida dos moçambicanos.

27 missões internacionais e reposicionamento de Moçambique

Segundo Daniel Chapo, nos primeiros meses do mandato, Moçambique realizou 27 deslocações internacionais, entre visitas de Estado, visitas de trabalho e participações em fóruns multilaterais de alto nível, envolvendo encontros com Chefes de Estado, dirigentes de organizações internacionais e líderes de grandes corporações mundiais.

Durante essas deslocações, o Presidente referiu que o Executivo manteve encontros com comunidades moçambicanas na diáspora, incluindo empresários, com o objectivo de esclarecer a situação política, económica e social do país e recolher contributos para o desenvolvimento nacional.

“Fomos ao mundo explicar a verdade sobre Moçambique e ouvir os nossos compatriotas. Hoje, orgulhamo-nos do elevado sentido de patriotismo da nossa diáspora”, disse o Chefe do Estado.

Paralelamente, o país recebeu mais de 11 visitas de altos dignitários estrangeiros, entre Chefes de Estado, Chefes de Governo e líderes empresariais, num movimento que, segundo o Presidente, confirma o reposicionamento de Moçambique no plano internacional.

“Podemos afirmar com segurança: fomos ao mundo e o mundo veio a nós”, sublinhou.

Qatar assume compromisso de 20 mil milhões de dólares

Entre os resultados alcançados, Daniel Chapo destacou o compromisso do Estado do Qatar em mobilizar cerca de 20 mil milhões de dólares norte-americanos para investimentos em infra-estruturas energéticas, turismo e outros sectores estratégicos.

“Trata-se de um dos maiores compromissos financeiros alguma vez assumidos com Moçambique”, esclareceu o Presidente da República.

Cooperação com o Brasil e ganhos na agenda climática

No relacionamento com o Brasil, o Chefe do Estado referiu que Moçambique retomou e aprofundou a cooperação em áreas como agricultura, educação, infra-estruturas, hidrocarbonetos e segurança alimentar, reforçando uma parceria histórica entre os dois países.

Na Conferência das Partes sobre o Clima (COP), realizada em Belém do Pará, Daniel Chapo afirmou que Moçambique consolidou a sua posição como referência continental na gestão do risco de desastres, assegurando avanços em acções antecipadas, seguros climáticos e acesso a fundos internacionais para perdas e danos.

“A nossa actuação permitiu ganhos concretos na protecção das populações e no reforço da capacidade nacional de resposta a choques climáticos”, explicou.

Diplomacia ambiental e biodiversidade

O Presidente destacou igualmente o reforço da diplomacia ambiental, que resultou no aumento do interesse de agências multilaterais e fundações internacionais no apoio à protecção da biodiversidade, com especial enfoque para florestas estratégicas e áreas de conservação.

Portugal, Japão e corredores de desenvolvimento

Com Portugal, Daniel Chapo anunciou o estabelecimento de uma linha de crédito de 500 milhões de euros para dinamizar o investimento empresarial português em Moçambique, bem como a disponibilização de 15 milhões de eurosno âmbito do Programa Estratégico de Cooperação até 2026.

No Japão, o país garantiu o compromisso de manutenção e reforço do apoio ao corredor de desenvolvimento de Nacala, assim como aos sectores de recursos minerais e matérias-primas, considerados vitais para o crescimento económico e a integração regional.

Estados Unidos: formação, gás e saúde

Referindo-se à visita aos Estados Unidos da América, Daniel Chapo informou que foram assinados vários memorandos de entendimento, incluindo um acordo com a ExxonMobil para a criação de um Centro de Tecnologia e Formação, destinado à capacitação de jovens moçambicanos nas áreas de petróleo, gás e mineração.

“Queremos que, no médio e longo prazos, os jovens moçambicanos assumam a liderança na gestão dos grandes projectos energéticos do país”, afirmou.

Foi igualmente assinado um memorando para o desenvolvimento do gás doméstico, prevendo um investimento inicial de 10 milhões de dólares em estudos técnicos e de mercado.

Na área da saúde, o Presidente anunciou a assinatura de um acordo com o Governo dos Estados Unidos, com vigência inicial de cinco anos a partir de 2026, que prevê cerca de 1,8 mil milhões de dólares para o reforço do Sistema Nacional de Saúde.

Genebra, Itália e países árabes

Da visita a Genebra, Daniel Chapo destacou ganhos como a disponibilização de doses de vacina contra a cólera, o reforço do financiamento do Fundo Global para o combate ao HIV, tuberculose e malária, e o apoio da Organização Meteorológica Mundial ao restabelecimento do Instituto Nacional de Meteorologia.

Na Itália, o Presidente anunciou a mobilização de cerca de 100 milhões de euros para projectos estruturantes nas áreas agro-alimentar, energia sustentável e transformação digital.

Segundo o Chefe do Estado, os países árabes passaram igualmente a ocupar um lugar de destaque no mapa diplomático de Moçambique, com investimentos concretos nos sectores do agronegócio, portos, mineração e energia.

Segurança, terrorismo e resiliência nacional

Daniel Chapo sublinhou que a diplomacia económica tem caminhado lado a lado com a agenda da segurança nacional, particularmente no combate ao terrorismo, através de contactos regulares com parceiros como as Nações Unidas, os Estados Unidos da América e os países da SADC.

“Não há país no mundo que se desenvolva sem paz e segurança. Estes apoios reforçam a nossa capacidade de combater o terrorismo e proteger os nossos recursos estratégicos”, afirmou.

O Presidente renovou ainda o reconhecimento às Forças de Defesa e Segurança empenhadas no combate aos grupos terroristas em Cabo Delgado.

Na sua intervenção, Daniel Chapo afirmou que, apesar das tentativas de instalar o caos, o Estado não cedeu, as instituições não cederam e o povo não se deixou intimidar.

“Moçambique permanece firme, resiliente e focado. Hoje, as instituições funcionam, a economia segue em frente e a esperança está a ser reconstruída”, concluiu.

Segundo o Presidente da República, os resultados da diplomacia económica demonstram que Moçambique entrou numa nova fase de inserção internacional, com compromissos concretos de investimento, criação de emprego e reforço das bases da independência económica.

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