Moçambique esteve em evidência na 13.ª Plataforma Global de Diálogo sobre Acções Antecipadas, realizada de 2 a 4 de Dezembro de 2025, em Berlim, Alemanha, no âmbito das celebrações dos 10 anos das Acções Antecipadas no Mundo. O evento reuniu actores humanitários, governos e parceiros internacionais para debater soluções inovadoras de prevenção e resposta a eventos climáticos extremos.
O País destacou-se pela apresentação em plenária da Directora do Centro Nacional Operativo de Emergências (CENOE), Ana Cristina, que partilhou a experiência moçambicana na institucionalização e operacionalização das Acções Antecipadas (AAs), num contexto de crescente vulnerabilidade climática.
Moçambique enfrenta aumento acelerado de ciclones e secas
Na sua intervenção, Ana Cristina explicou que Moçambique regista uma tendência acentuada de agravamento dos riscos climáticos. Entre 1980 e 2019, o número de ciclones passou de 3 para 6 por década, mas na actual década o País já registou 12 eventos ciclónicos em apenas cinco anos, um marco que evidencia a intensidade crescente das ameaças.
A Directora recordou igualmente o impacto severo das secas associadas ao fenómeno El Niño, que afectaram 2,3 milhões de pessoas em 2015/16 e 1,8 milhões em 2023/24, reforçando a necessidade de mecanismos de resposta antecipada cada vez mais robustos.
Moçambique institucionalizou as Acções Antecipadas
Ana Cristina destacou que o País integra hoje um sistema multissectorial, inclusivo e institucionalizado de Acções Antecipadas, consolidado através de instrumentos orientadores como:
Plano Nacional de Protecção Financeira contra Desastres (2022–2027);
Manuais de Procedimentos Operacionais Padrão;
Planos de Acções Antecipadas específicos por tipo de evento.
Graças a essa estrutura, o Governo activou em 2023/24 os primeiros Planos de AAs para a seca, assistindo cerca de 900 mil pessoas, e em 2024/25 activou os primeiros Planos de AAs para ciclones (Chido, Dikelede e Jude), beneficiando aproximadamente 5 milhões de pessoas.
Resultados dependem de forte colaboração internacional
articulação entre instituições nacionais e parceiros de cooperação, incluindo:
CVM, PMA, OCHA, UNICEF, FAO, OIM, UNFPA, Save the Children, bem como mecanismos financeiros como CERF, NORAD, GFFO, FCDO, ECHO e DREF.
Este modelo de cooperação permitiu acelerar intervenções humanitárias, proteger meios de subsistência e reduzir impactos sociais e económicos.
No encerramento da sua apresentação, Ana Cristina deixou uma mensagem que sintetiza a nova visão do País perante os riscos climáticos:
“Agir antecipadamente deixou de ser uma inovação; é agora uma urgência estratégica para salvar vidas e proteger meios de subsistência.”
A participação de Moçambique na Plataforma Global de Berlim reafirmou o compromisso nacional de fortalecer o sistema de gestão e redução de riscos, expandir o financiamento para Ações Antecipadas e reforçar a resiliência das comunidades face à intensificação das mudanças climáticas.





