A visita oficial do Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, a Portugal mobiliza mais de 500 empresários e deverá culminar com a assinatura de cerca de 21 acordos sectoriais, anunciou o Governo moçambicano. A deslocação insere-se na VI Cimeira Bilateral Portugal–Moçambique, marcada pelo regresso do diálogo político ao mais alto nível após três anos.
A agenda, centrada na cidade do Porto, representa um dos momentos de maior relevância diplomática do primeiro mandato de Chapo e reforça a cooperação estratégica entre os dois países.
Regresso da Cimeira ao mais alto nível
Segundo a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Maria dos Santos Lucas, a Cimeira ocorre depois de uma interrupção de quase três anos.
A governante recordou que “a última edição teve lugar em 2022” e destacou que esta será “a primeira cimeira binacional do mandato do Presidente Chapo”.
As actividades iniciaram-se com um jantar-de-trabalho entre Chapo e o Primeiro-Ministro português, Luís Montenegro, e seguem com reuniões técnicas e sectoriais que envolvem membros dos dois governos.
A agenda da Cimeira inclui também um fórum económico que reúne mais de 500 empresários moçambicanos e portugueses, considerado um dos maiores encontros de negócios já realizados no âmbito da cooperação bilateral.
“Passemos da ajuda ao desenvolvimento para a área de investimento, comércio. E sector privado, sobretudo”, afirmou a ministra, sublinhando a viragem estratégica para uma relação assente em dinamização empresarial.
O fórum visa estimular oportunidades de investimento, parcerias empresariais e integração de cadeias de valor entre os dois países.
Cimeira deverá produzir 21 acordos sectoriais
No plano político e técnico, a Cimeira prepara um conjunto alargado de instrumentos de cooperação.
“Acho que nós temos cerca de 21 acordos”, revelou a ministra, indicando que os documentos abrangem educação, saúde, agricultura, energia, transformação digital, comunicações e infra-estruturas.
A previsão supera anteriores marcos bilaterais e demonstra o aprofundamento da parceria estratégica.
A Cimeira inclui ainda a avaliação do Programa Estratégico de Cooperação 2022–2026, abrindo caminho para a preparação do próximo ciclo de cooperação, previsto para arrancar em 2027.
A ministra referiu que o objectivo é “avaliar as decisões já tomadas” e identificar novas áreas prioritárias, sublinhando que a relação entre os dois países é “histórica, especial e estratégica”.
Encontro com a comunidade moçambicana residente em Portugal
A visita inclui igualmente um encontro do Presidente Chapo com a comunidade moçambicana, particularmente estudantes da região do Porto, permitindo um diálogo directo sobre desafios académicos, oportunidades e questões sociais.
Entre os temas em análise está o reconhecimento do apoio português em domínios críticos como:
resposta às mudanças climáticas,
gestão de calamidades,
defesa e segurança,
combate ao terrorismo.
“Viemos agradecer a Portugal e ao povo português pelo apoio que nos tem dado nos momentos difíceis”, afirmou a ministra.
Com forte componente económica e institucional, a visita de Chapo pretende consolidar uma agenda de cooperação mais equilibrada, orientada para investimento, competitividade empresarial e diversificação económica.
A assinatura dos 21 acordos e a mobilização empresarial colocam esta Cimeira entre as mais ambiciosas da história recente da relação Moçambique–Portugal.





