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AT aposta na digitalização para aumentar a receita e reduzir evasão fiscal

Por Redacção Checka Moz.

A Autoridade Tributária de Moçambique (AT) reiterou esta semana o compromisso de acelerar a modernização dos seus sistemas e reforçar a conformidade fiscal, durante a Conferência sobre Tributação em Moçambique, realizada em Maputo sob o lema “Fortalecendo o Cumprimento Fiscal e a Receita para o Desenvolvimento Nacional”. O encontro, dirigido pelo Presidente da AT, Aníbal Mbalango, foi organizado em parceria com o International Growth Centre (IGC) e reuniu Governo, sector privado, academia, parceiros de cooperação e organizações da sociedade civil.

O objectivo central da conferência foi promover um diálogo técnico e estratégico sobre melhores práticas de arrecadação, políticas para alargar a base tributária e mecanismos para melhorar a eficiência fiscal, num momento em que o país avança com reformas profundas no sistema tributário.

Digitalização e reformas administrativas estão no centro da estratégia

Durante a cerimónia de abertura, Aníbal Mbalango sublinhou que a realização do encontro representa um passo decisivo na consolidação da agenda de modernização da administração fiscal.

“A realização deste encontro reforça o compromisso assumido pelo Governo em alargar a base tributária, melhorar a eficiência fiscal e avançar com reformas administrativas de curto e médio prazo, incluindo a digitalização dos sistemas de pagamento e gestão tributária.”

O dirigente destacou que o sucesso desta transformação depende da capacidade de ultrapassar desafios estruturais, tecnológicos e de capacitação, exigindo igualmente uma abordagem coordenada entre vários actores.

Tributação digital, IVA electrónico e revisão de benefícios fiscais

A AT considera que a crescente expansão das transacções digitais exige novas ferramentas de controlo, fiscalização e cobrança. Entre as prioridades identificadas constam:

  • optimização da tributação da economia digital,

  • reforço do controlo dos preços de referência,

  • revisão do Código de Benefícios Fiscais,

  • racionalização de isenções,

  • operacionalização das máquinas fiscais para controlo da facturação do IVA,

  • medidas previstas no PESOE 2026 que pretendem tornar o sistema mais eficiente e justo.

Segundo o Presidente da AT, estas reformas são fundamentais para combater a evasão, melhorar a equidade do sistema e assegurar que todos os sectores contribuam para a receita sem penalizar os consumidores.

Reformas devem criar confiança e fortalecer o contracto social

O Presidente da AT explicou que o objectivo da conferência não se restringe à discussão de instrumentos isolados, mas sim de um conjunto coerente de políticas que reforcem a sustentabilidade fiscal do país.

“O objectivo desta conferência não é discutir um instrumento isolado, mas sim um portfólio coerente de reformas e alternativas de arrecadação que, em conjunto, permitam alargar a base tributária. Até porque a mobilização de recursos é mais do que arrecadar. É fortalecer o contracto social, garantir transparência, financiar infra-estruturas e serviços públicos de qualidade, criar espaço fiscal para investimentos produtivos e, acima de tudo, construir confiança.”

O dirigente defendeu que os avanços dependerão da cooperação entre todas as instituições relevantes — administração tributária, serviços centrais e locais, sector privado, academia e sociedade civil.

Debates centraram-se em três eixos estruturantes

A conferência organizou os debates em torno de três eixos principais:

  1. Melhoria da eficiência da arrecadação, incluindo inovação tecnológica e integração de sistemas;

  2. Identificação de novas fontes de receita que não aumentem o peso sobre o consumidor, garantindo justiça e equilíbrio fiscal;

  3. Mobilização de receitas locais para viabilizar o desenvolvimento municipal, reforçando autonomia financeira e prestação de serviços públicos ao nível local.

Os participantes defenderam que a digitalização, o reforço das capacidades institucionais e a cooperação interinstitucional serão determinantes para garantir maior transparência, eficiência e sustentabilidade da receita pública.

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