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Governo vai emitir quase 2 milhões de BIs e 400 mil passaportes em 2026

Governo prepara maior operação de identificação civil da história

Por Redacção Checka Moz.

Moçambique prepara-se para executar a maior operação de emissão de documentos de identificação da sua história recente. Entre 2026 e 2029, o país prevê produzir 8.426.237 bilhetes de identidade (BIs) e 1.110.770 passaportes, segundo projecções oficiais constantes do Programa Quinquenal do Governo (PQG) 2025–2029. Trata-se de uma expansão inédita que pretende ultrapassar barreiras estruturais que impedem milhões de cidadãos de aceder a serviços básicos e oportunidades económicas.

A iniciativa marca o início de uma reforma profunda do sistema de registo e identificação civil, com impacto directo na inclusão social, na formalização da economia e na modernização do Estado.

2026 abre o ciclo de expansão mais ambicioso de sempre

O Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) para 2026 confirma metas que, por si só, já representam um esforço extraordinário:

  • 1.857.713 bilhetes de identidade;

  • 389.200 passaportes e outros documentos de viagem.

Estas metas assinalam o arranque de um ciclo contínuo de expansão, que se manterá até 2029.

Projecções até 2029 mostram subida anual sustentada

De acordo com o PQG, o país deverá aumentar de forma progressiva a capacidade nacional de registo e emissão documental.

Bilhetes de Identidade

  • 2026 → 1.857.713
  • 2027 → 2.023.070
  • 2028 → 2.189.113
  • 2029 → 2.356.341
    Total 2026–2029: 8.426.237 BIs

Passaportes

  • 2026 → 260.194
  • 2027 → 271.750
  • 2028 → 283.356
  • 2029 → 295.470
    Total 2026–2029: 1.110.770 passaportes

Num país com elevada mobilidade interna, forte movimento migratório regional e procura crescente por regularização documental, esta expansão representa uma transformação estrutural.

Documentação como motor de inclusão e oportunidades

No cenário actual, não ter documentos significa, para muitos, ficar fora do sistema económico e social. Um BI permite:

  • abrir conta bancária,

  • candidatar-se a emprego formal,

  • aceder a cursos de formação,

  • obter crédito agrícola ou empresarial.

Para famílias vulneráveis, a documentação é o primeiro requisito para aceder a programas sociais, registos escolares e serviços de saúde. Reduzir assimetrias territoriais e levar serviços às zonas mais remotas é uma prioridade reconhecida pelo Governo.

O PQG 2025–2029 prevê uma modernização integral do sistema de registo e identificação civil, assente em:

  • digitalização completa dos processos,

  • interoperabilidade entre bases de dados do Estado,

  • reforço dos brigadistas e serviços móveis,

  • novos postos distritais e maior cobertura territorial,

  • automatização dos mecanismos de segurança e controlo documental.

Estas mudanças deverão reduzir prazos de emissão, prevenir duplicações, combater fraudes e melhorar a fiabilidade das informações do Estado.

Impacto económico e institucional da expansão documental

Emitir mais de 9,5 milhões de documentos essenciais até 2029 significa:

  • maior formalização da economia,

  • maior segurança nas fronteiras,

  • mobilidade internacional facilitada,

  • redução do comércio ilícito,

  • melhoria da gestão populacional,

  • reforço da confiança no Estado e nas instituições.

A identificação civil torna-se, assim, um eixo estratégico da governação moderna, com efeitos económicos e sociais duradouros.

Ao garantir que milhões de cidadãos terão, pela primeira vez, acesso pleno a documentação básica entre 2026 e 2029, o país prepara uma mudança estrutural que poderá redefinir trajectórias individuais e colectivas.

Mas o sucesso dependerá de quatro pilares essenciais:

  • eficiência administrativa,

  • capacidade técnica,

  • transparência,

  • presença efectiva do Estado em todos os distritos.

Se as metas forem cumpridas, Moçambique poderá chegar a 2030 com a maior taxa de inclusão documental da sua história, e com um sistema alinhado às exigências de uma economia moderna, digital e competitiva.

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