A Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA) enfrenta, desde Novembro, uma vaga de renúncias simultâneas envolvendo dirigentes distritais e membros fundadores na província de Cabo Delgado. Pelo menos sete membros apresentaram cartas formais de abandono, todas com carimbo de recepção e justificações semelhantes: falta de valorização dos quadros, descontentamento interno e divergências com a liderança provincial e nacional.
As cartas, enviadas entre 18 e 26 de Novembro de 2025, revelam um movimento coordenado que afecta estruturas em Pemba, Chiure, Montepuez e Metuge.
Renúncia de Serafim António Victor, coordenador de Montepuez
Uma das demissões mais significativas é a de Serafim António Victor, membro fundador e Coordenador Distrital de Montepuez.
Na sua carta de 18 de Novembro, o dirigente afirma:
“Renuncio ao cargo de coordenador e de membro do partido (…) por considerar que este partido não valoriza os seus quadros.”
A saída de Serafim representa a primeira ruptura pública interna desde a fundação da organização.
Outro caso de destaque é o de Fernando Tames, antigo membro da Renamo e mandatário provincial da ANAMOLA, que integrava a estrutura em Metuge.
Na carta datada de 19 de Novembro, Tames solicita a renúncia imediata:
“Venho mui respeitosamente requerer a renúncia imediata a membro do partido acima citado.”
A carta foi oficialmente recebida e validada pela coordenação provincial.
Em Chiure, o Coordenador Distrital Raul Nipepo também abandonou o partido.
Na sua carta de 18 de Novembro, Nipepo explica que deixa as funções devido à “não valorização dos quadros”, apontando igualmente tensões internas sobre gestão e representatividade dentro do movimento.
“Deixo as funções devido à não valorização dos quadros.”
Outros quatro membros apresentam renúncia em Pemba
Além dos casos mais visíveis, outras quatro renúncias ocorreram na capital provincial, Pemba:
• Abudo Sacate – renunciou em carta de 23 de Novembro.
• Atimo Ausse Buraimo – carta assinada e recebida no mesmo dia.
• Adelino Fernando Castiano – apresentou renúncia igualmente a 23 de Novembro.
• João Bau – formalizou a saída a 19 de Novembro.
Todos alegam motivos semelhantes: divergências internas, falta de reconhecimento e ausência de espaço para progressão dentro da organização.
As renúncias reforçam sinais de instabilidade dentro do jovem movimento político, que tem enfrentado dificuldades na gestão interna e nas relações entre as estruturas distritais e a direcção provincial.
O padrão comum das justificações sugere um ambiente de descontentamento generalizado, com membros a reivindicarem:
• falta de comunicação interna;
• falta de valorização de quadros;
• desalinhamento entre a liderança e as bases;
• ausência de uma estrutura organizativa funcional.
Até ao momento, a ANAMOLA ainda não reagiu publicamente ao movimento de afastamentos.





