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Comércio Moçambique–Índia ultrapassa 800 milhões USD e abre novas oportunidades

Comércio Moçambique–Índia dispara em 2024

Por Redacção Checka Moz.

O comércio bilateral entre Moçambique e a Índia ultrapassou 800 milhões de dólares norte-americanos em 2024, consolidando uma trajectória de crescimento sustentado e evidenciando o peso crescente das exportações agrícolas e dos bens de capital na relação entre os dois países.
Os dados foram destacados esta terça-feira, durante o Fórum de Negócios Índia–Moçambique, realizado em Maputo, que reuniu empresários, associações empresariais e representantes governamentais para identificar novas oportunidades de investimento.

A Índia mantém-se entre os principais destinos das exportações agrícolas moçambicanas, castanha de caju, feijão bóer, gergelim e pó de dhal, enquanto Moçambique importa maquinaria industrial, equipamentos agrícolas, tecnologia de irrigação e produtos farmacêuticos fabricados pela indústria indiana.

Empresários indianos avaliam investimentos de até 10 mil milhões USD

Durante o encontro, investidores indianos demonstraram interesse num pacote de investimentos estimado em 10 mil milhões de dólares, abrangendo sectores como energia, gás, indústria farmacêutica, agricultura e agro-processamento. A expansão do investimento indiano ocorre num contexto em que Moçambique procura acelerar a diversificação económica e reforçar a industrialização local.

Segundo o Secretário de Estado do Comércio, António do Rosário Grispos, a agricultura continua a ser uma das áreas de maior potencial para ampliar a produção e as exportações.

“Moçambique tem cerca de 35 milhões de hectares férteis, sendo um dos poucos países em África e no mundo com esta quantidade de terras cultiváveis. Os nossos índices de produção ainda são extremamente baixos”, afirmou.

O governante destacou que o país já ocupa lugar relevante no fornecimento de pó de dhal à Índia, mas ainda pode expandir significativamente a capacidade produtiva.

“Moçambique é, como disse o senhor embaixador, um dos grandes exportadores de pó de dhal para a Índia, mas tem capacidade para triplicar esse volume”, explicou.

Grispos defendeu parcerias directas entre empresas indianas e moçambicanas, com foco na industrialização, aumento da produção e auto-suficiência alimentar.

“Convidamos as empresas indianas a virem, de preferência em parceria com os moçambicanos, para podermos explorar esse potencial agrícola, não só para transformar Moçambique num dos maiores exportadores de produtos, mas também para alcançarmos a auto-suficiência alimentar”, afirmou.

CTA destaca complementaridade económica entre os dois países

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) considera que o comércio bilateral tem espaço para crescer substancialmente, apoiado pela disponibilidade de terras aráveis, recursos hídricos e pela experiência indiana em agro-indústria e tecnologias agrícolas.

O presidente da CTA, Álvaro Massingue, destacou que existem vantagens comparativas claras.

“É hora de elevar esta parceria para um novo patamar. Existe uma complementaridade natural entre duas economias dinâmicas. Moçambique dispõe de 36 milhões de hectares de terras aráveis, recursos hídricos abundantes e uma das costas mais extensas da África Austral. A Índia traz tecnologia agrícola acessível, sistemas modernos de irrigação e experiência consolidada em agro-processamento”, afirmou.

Indústria farmacêutica e saúde ganham prioridade

O presidente do Conselho Empresarial da Índia, Shivank Goael, identificou oportunidades imediatas e de longo prazo nos sectores da saúde, energia e agricultura, com destaque para a expansão da indústria farmacêutica em Moçambique.

“Acredito que existem oportunidades imediatas, a médio e longo prazo em Moçambique, especialmente no sector da saúde. E a saúde é um tema muito amplo: inclui hospitalidade, diagnósticos e indústria farmacêutica, há muito por desenvolver”, explicou.

O dirigente acrescentou que a agricultura e a pesca podem beneficiar de melhor tecnologia e sistemas avançados de sementes.

“Depois, há a agricultura, começando pela pesca, que envolve toda a cadeia agrícola e a rede de fornecimento: sementes, tecnologia de sementes resistentes a doenças e que requerem menos água. Há muito desenvolvimento técnico a acontecer nesse domínio”, afirmou.

Potencial de cooperação permanece subaproveitado

O Fórum de Negócios Índia–Moçambique reforçou que, apesar de o comércio bilateral já ultrapassar 800 milhões USD, o potencial de cooperação económica continua muito acima do nível actual.

Com investimentos avaliados em 10 mil milhões USD, o encontro abre espaço para projectos estruturantes em energia, saúde, agricultura, pesca e indústria transformadora, sectores considerados estratégicos para o crescimento económico sustentável de Moçambique.

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