Moçambique entrou numa nova fase de consolidação da sua agenda energética com a reactivação de dois dos maiores projectos de gás natural do continente africano, avaliados em mais de 50 mil milhões de dólares norte-americanos. O levantamento das cláusulas de força maior pela Exxon Mobil (Rovuma LNG) e pela TotalEnergies (Área 1) marca o regresso dos investimentos e abre caminho à retoma das obras em Cabo Delgado.
As decisões, consideradas estratégicas para o reposicionamento energético do país, surgem após progressos consistentes na estabilização da província, reforçando a confiança das multinacionais e colocando Moçambique novamente na rota global do gás natural liquefeito (LNG).
Exxon levanta força maior e avança para nova etapa técnica
A Exxon Mobil confirmou o levantamento da força maior imposta ao projecto Rovuma LNG desde 2021. Durante o período de suspensão, a empresa utilizou o tempo para optimizar o desenho técnico da infra-estrutura, que passa agora a incluir uma capacidade prevista de 18 milhões de toneladas por ano, um dos maiores registos projectados no continente.
O Director-Executivo da Exxon, Darren Woods, afirmou que a empresa está pronta para acelerar a próxima fase:
“Refinámos o projecto, ajustámos o desenho e iremos avançar rapidamente depois do levantamento da força maior.” — Darren Woods
A decisão aproxima o Rovuma LNG da decisão final de investimento (FID), aguardada para 2025.
TotalEnergies já reactivou operações na Área 1
Antes da Exxon, a TotalEnergies já havia levantado a força maior no Mozambique LNG, empreendimento avaliado em cerca de 20 mil milhões USD.
A empresa retomou a mobilização de equipas, fornecedores e contratos, colocando novamente o projecto no calendário de execução, depois de três anos de suspensão.
Com a retoma coordenada das duas multinacionais, Moçambique volta a ter activos estruturantes superiores a 50 mil milhões USD prontos para regressar à fase de construção.
Chapo: confiança dos investidores reforça estabilidade económica
O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, tem reforçado apelos ao regresso das empresas ao terreno, afirmando que Cabo Delgado regista melhorias reais nas condições de segurança.
O Chefe de Estado sublinhou recentemente que Moçambique não pode esperar por “condições perfeitas” para avançar com investimentos estratégicos, defendendo um regresso progressivo que proteja o emprego, a confiança dos investidores e a sustentabilidade económica.
A retoma dos dois mega-projectos é vista como uma demonstração de confiança internacional no ambiente de segurança e na capacidade de gestão do sector energético nacional.
Mega-projectos poderão transformar a economia nacional
O Rovuma LNG (Exxon) e o Mozambique LNG (TotalEnergies) deverão iniciar operações no início da década de 2030, projectando Moçambique como fornecedor relevante de LNG durante várias décadas.
Os dois projectos deverão:
aumentar significativamente as exportações e as receitas em divisas;
reforçar a estabilidade macroeconómica;
gerar milhares de empregos directos e indirectos;
estimular cadeias de valor nacionais e serviços especializados;
posicionar Moçambique como actor estratégico no mercado global de energia.
Com este novo ciclo de investimentos, Moçambique avança para a maior carteira energética da sua história recente, consolidando o seu papel como uma das principais fronteiras de gás natural do mundo.





