O sector de Recursos Hídricos está a implementar um conjunto de reformas destinadas a garantir uma gestão integrada, transparente e eficiente dos cursos de água, assegurando disponibilidade em quantidade e qualidade para responder às necessidades das famílias e da economia nacional.
As novas directrizes incluem a construção de barragens, diques e represas, bem como o aumento da capacidade de armazenamento das infra-estruturas já existentes, num esforço para reforçar a resiliência hídrica do país.
As informações foram avançadas por Hélio Banze, secretário permanente do Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos (MOPHRH), durante a abertura da conferência internacional da REFMCO, organismo regional dedicado à gestão integrada das bacias hidrográficas transfronteiriças na África Austral.
Reformas apostam na modernização e na diplomacia da água
Hélio Banze explicou que a reforma em curso tem como objectivo tornar os instrumentos de gestão hídrica mais flexíveis e ajustados às exigências actuais, reforçando o papel das bacias partilhadas.
“A reestruturação em curso implica tornar os instrumentos de gestão hídrica mais flexíveis e adaptados à realidade actual, reforçando o papel das bacias partilhadas e a necessidade de uma gestão humanitária e sustentável” , explicou Hélio Banze
Segundo o dirigente, os novos mecanismos de gestão exigem:
modernização dos sistemas de monitoria;
diplomacia da água mais activa;
reforço da participação comunitária.
O objectivo, destacou, é consolidar uma gestão sustentável das bacias hidrográficas, com decisões baseadas em evidências, monitoria em tempo real e cooperação regional mais eficaz.
Capacidade de armazenamento é o principal desafio
O Director-Geral da Administração Regional de Águas do Sul (ARA-Sul), Edgar Chongo, sublinhou que o maior desafio do sector continua a ser a capacidade de armazenamento de água. Explicou que o Governo tem vários projectos em curso destinados a ampliar infra-estruturas em diversas bacias hidrográficas.
“O principal desafio continua a ser a nossa capacidade de armazenamento de água”, explicou Edgar Chongo
Entre as obras em desenvolvimento, o responsável destacou:
a barragem de Movene, na bacia do Umbeluzi;
a barragem de Mapai, no Limpopo;
a barragem de Moamba Major, no Incomáti.
Chongo salientou que estas infra-estruturas são essenciais para aumentar o encaixe de água e garantir maior resiliência em regiões sujeitas a secas cíclicas.
Infra-estruturas exigem financiamento elevado e cooperação contínua
O director da ARA-Sul recordou que a construção e expansão de barragens é um processo complexo, que exige financiamento substancial e articulação entre Governo, parceiros e comunidades.
“O processo de planificação e implementação destas infra-estruturas é complexo, exigindo financiamento substancial e conjugação de esforços entre Governo, parceiros e comunidades”, disse Edgar Chongo
Apesar do custo elevado, Chongo sublinhou que estas barragens têm um papel crucial em zonas com escassez hídrica, contribuindo para:
reduzir impactos de cheias e secas;
reforçar sistemas de irrigação agrícola;
aumentar o abastecimento humano e animal;
melhorar a gestão do caudal a jusante.
As reformas representam um passo fundamental para fortalecer a resiliência hídrica do país e garantir um serviço mais seguro e eficiente para populações e sectores económicos.





