A Universidade Eduardo Mondlane (UEM) acolheu, esta quarta-feira, a segunda cerimónia de graduação de 2025, marcada por um discurso do Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, centrado no valor social do conhecimento, na responsabilidade cívica dos jovens formados e no papel estratégico da educação superior para a Independência Económica do país.
Perante estudantes, docentes, antigos reitores e convidados, o Chefe de Estado afirmou que a educação superior moçambicana deve consolidar-se como “um dos motores da Independência Económica”, reforçando que a universidade é o espaço “onde se pensa o país, onde se desenham soluções e onde se alimenta a esperança colectiva”.
UEM graduou 1.789 quadros em 2025, 56% dos quais mulheres
Durante o discurso, Daniel Chapo destacou os resultados do ciclo de graduações deste ano: 1.789 licenciados, mestres e doutores, dos quais 196 foram graduados na cerimónia desta quarta-feira.
Do total, 56% são mulheres, um marco que o Presidente classificou como “inspirador no caminho da igualdade de género e da valorização do capital humano”.
O Chefe de Estado sublinhou que estes números representam “vidas transformadas e histórias de superação”, reflectindo a expansão e descentralização do ensino superior, com cerimónias realizadas em Maputo, Vilankulo, Inhambane, Chibuto e Quelimane.
Uma celebração que honra 50 anos da Independência Nacional
Na sua intervenção, Chapo recordou que a cerimónia decorre num ano simbolicamente relevante — os 50 anos da Independência Nacional — e evocou o legado histórico da UEM, atribuído por Samora Machel em 1976.
O Presidente relembrou que foi na UEM que se consolidou a “consciência nacional moderna” e onde se forjaram valores da Geração 8 de Março. Foi também ali que se desenvolveu o princípio que marcou grande parte do discurso:
“O conhecimento só tem sentido quando transforma vidas e constrói a Nação”, afirma Daniel Chapo
Chapo prestou ainda homenagem aos antigos reitores Fernando dos Reis Ganhão, Rui Baltazar, Narciso Matos, Brazão Mazula, Filipe Couto e Orlando Quilambo, sublinhando o papel de cada um na construção da universidade moderna.
Desafios à UEM: emprego, inteligência artificial e contributo no Diálogo Nacional Inclusivo
O Chefe de Estado lançou três desafios orientados para o futuro da instituição:
1) Formação alinhada ao mercado de trabalho
Chapo alertou que “o tempo em que o diploma garantia automaticamente um emprego chegou ao fim”, defendendo que a universidade deve formar criadores de emprego e não apenas candidatos.
2) Uso ético e responsável da inteligência artificial
O Presidente afirmou que a IA é uma conquista importante, mas acarreta riscos éticos.
“A universidade deve ensinar a usar a inteligência artificial para pensar melhor e com ética.”
3) Participação activa no Diálogo Nacional Inclusivo
Convidou a UEM e as demais instituições de ensino superior a submeterem contribuições formais, destacando o papel académico na reforma institucional e no fortalecimento da governação pública.
Chapo exorta graduados a servir o país com ética e competência
Dirigindo-se aos estudantes, o Presidente recordou que o diploma representa “o início de uma nova responsabilidade”.
“Assumam o compromisso de servir Moçambique com competência, responsabilidade, honestidade, integridade e patriotismo.”
Chapo sublinhou que estes jovens são a geração chamada a completar o percurso iniciado em 1975: transformar a independência política em independência económica, digital, ambiental e cultural.
“A universidade deve aproximar-se das fábricas, laboratórios e comunidades”
O Presidente defendeu uma UEM mais ligada ao sector produtivo e às comunidades, com currículos modernos, investigação aplicada e inovação orientada ao desenvolvimento económico.
Reafirmou que o Governo continuará a apoiar o ensino superior na modernização da infra-estrutura, investigação científica e expansão das oportunidades para jovens talentos.
A encerrar, Chapo sublinhou que a ciência, a ética e a juventude são os pilares da Independência Económica que o país pretende consolidar:
“Moçambique precisa de homens e mulheres com ciência na mente, ética no coração e esperança no olhar.”
A cerimónia encerrou com uma mensagem de motivação aos graduados:
“Saiam daqui com a consciência de que estudaram na maior universidade do país. É esta universidade que formou o Presidente da República.”





