O Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, apresentou esta quinta-feira, em Belém do Pará (Brasil), um conjunto de soluções climáticas com impacto directo nas comunidades moçambicanas, reforçando o compromisso do país com uma acção climática justa, transformadora e geradora de emprego sustentável.
Durante o seu discurso na Cimeira de Líderes Mundiais da COP30, o Chefe do Estado afirmou que a resposta às mudanças climáticas deve traduzir-se em benefícios tangíveis para as populações mais vulneráveis, promovendo crescimento verde, inclusão social e inovação económica.
“Acreditamos que a luta contra as mudanças climáticas é também uma oportunidade de transformar economias, criar empregos verdes, inovar e promover um crescimento sustentável”, declarou o Presidente Daniel Chapo.
Chapo destacou que Moçambique, embora seja um dos países mais expostos aos impactos climáticos, tem vindo a implementar medidas concretas de adaptação e mitigação, reconhecidas internacionalmente.
Entre os projectos em curso, salientou-se a Iniciativa de Preservação e Protecção da Floresta do Miombo, que abrange sete países da África Austral e cobre cerca de 190 milhões de hectares, e a Estratégia Nacional de Financiamento Climático 2025–2034, recentemente aprovada para integrar a planificação orçamental do Estado.
“Com uma população maioritariamente jovem, o futuro do nosso país e do continente africano depende das decisões que tomarmos hoje. Defendemos uma acção climática inclusiva, que envolva governos, sector privado, comunidades locais e juventude”, sublinhou o Chefe do Estado.
Resiliência e justiça climática para todos
De acordo com dados do Governo, Moçambique necessita de cerca de 37,2 mil milhões de dólares para alcançar a plena resiliência climática do seu capital humano, físico e natural.
O Presidente explicou que este valor não representa apenas um custo, mas o investimento necessário para garantir esperança, segurança e dignidade a milhões de moçambicanos afectados por ciclones, secas e inundações.
Nos últimos dois anos, fenómenos como os ciclones Chido, Dikeledi e Jude causaram perdas humanas e materiais significativas, evidenciando a urgência de reforçar o financiamento para prevenção, reconstrução e desenvolvimento resiliente.
Chapo apelou à operacionalização efectiva do Fundo de Perdas e Danos, criado na COP anterior, para que se torne um verdadeiro instrumento de justiça climática em benefício dos países mais afectados.
Na mesma intervenção, o Presidente reafirmou o compromisso de Moçambique com uma transição energética justa, baseada no uso sustentável dos recursos naturais, na criação de emprego local e na expansão de energias limpas e acessíveis.
“A equidade climática deve reconhecer o direito dos países africanos ao desenvolvimento, incluindo o acesso à energia limpa, infra-estruturas resilientes e oportunidades industriais sustentáveis”, afirmou Daniel Chapo.
O Chefe do Estado apelou ainda aos países desenvolvidos para que cumpram os compromissos de financiamento climático, tornando os mecanismos multilaterais e bilaterais mais simples, transparentes e inclusivos para os países em desenvolvimento.
Moçambique como país de soluções
Encerrando o seu discurso, o Presidente frisou que Moçambique não se apresenta como um país de apelos, mas de soluções concretas, comprometido com resultados e com o futuro das comunidades.
“Moçambique continuará a fazer a sua parte, com determinação, competência e sentido de urgência. Juntos, podemos construir um futuro resiliente, justo e sustentável para todos”, concluiu.
A participação de Moçambique na COP30 consolida a imagem do país como actor activo na diplomacia climática internacional, defensor de uma agenda que alia protecção ambiental, criação de emprego e desenvolvimento humano sustentável.





