O Governo de Moçambique antecipa um crescimento económico de 3,2% em 2026, assente na estabilidade macroeconómica, na retoma do investimento e na expansão de sectores estratégicos como serviços, agricultura, energia e gás natural liquefeito (GNL). A previsão consta da Proposta do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE 2026), que orienta a política económica do país no segundo ano de execução do Programa Quinquenal do Governo 2025-2029.
A proposta destaca o compromisso do Executivo em preservar a estabilidade cambial e a inflação num dígito, com uma inflação média anual estimada em 3,7%. O Banco de Moçambique manterá a política monetária prudente, ajustando gradualmente a taxa MIMO para consolidar o ambiente de estabilidade e confiança no sistema financeiro.
Em paralelo, o Governo prevê uma receita de 421.959 milhões de meticais, o que representa 25,5% do PIB, e um investimento público total de 107.559,6 milhões de meticais, equivalente a 6,5% do PIB, assegurando a continuidade dos programas de desenvolvimento económico e social.
O documento sublinha que o crescimento será impulsionado pelo dinamismo agrícola, apoiado em condições meteorológicas favoráveis, financiamento às famílias produtoras e maior inclusão de mulheres e jovens nas cadeias de valor. Estima-se um aumento de 7% na produção de cereais, 5% nas leguminosas e 5% nas raízes e tubérculos, com destaque para o arroz e a mandioca.
Na área energética, a prioridade recai sobre Mphanda Nkuwa e Cahora Bassa II, bem como na expansão da rede eléctrica nacional, medidas consideradas essenciais para sustentar a industrialização e garantir fornecimento competitivo ao sector produtivo.
Reformas estruturais e inclusão económica
O PESOE 2026 reafirma o foco na diversificação produtiva e no fortalecimento do sector privado nacional, com incentivos às Micro, Pequenas e Médias Empresas (MPMEs) através de fundos como o FGM, FDEL e FRE, que visam melhorar o acesso ao crédito e impulsionar o emprego.
Entre as medidas de governação económica, destacam-se a reforma do Sector Empresarial do Estado, a implementação do sistema electrónico de contratação pública e a transformação digital das finanças públicas, reforçando a transparência e a eficiência da despesa.
Apesar das previsões positivas, o Governo reconhece desafios como a insegurança em Cabo Delgado, a volatilidade dos preços internacionais e os impactos das mudanças climáticas. Para mitigar riscos, o Executivo compromete-se a adoptar medidas de resposta atempadas e a fortalecer os mecanismos de apoio às comunidades afectadas.
Com um PIB per capita projectado em 741 USD e reservas internacionais equivalentes a 4,4 meses de importações, o PESOE 2026 simboliza uma fase de estabilidade e recuperação, consolidando o papel de Moçambique como economia resiliente, previsível e atractiva para o investimento.
O plano será submetido à Assembleia da República para aprovação e implementação a partir de Janeiro de 2026, marcando um novo ciclo de crescimento inclusivo, disciplinado e orientado para o bem-estar das famílias moçambicanas.





