O país é o primeiro da África Austral a aplicar o Índice de Capacidade de Resposta a Desastres (ICR), uma ferramenta que fortalece a capacidade nacional de prevenção e resposta a choques climáticos.
Moçambique consolidou a sua liderança regional em matéria de adaptação climática ao tornar-se o primeiro país da África Austral a aplicar o Índice de Capacidade de Resposta a Desastres (ICR), um instrumento que permite avaliar a prontidão institucional e comunitária para enfrentar emergências provocadas por fenómenos extremos como cheias, secas e ciclones.
O exercício de avaliação do ICR decorreu entre 27 e 28 de Outubro, na Cidade de Maputo, no âmbito do projecto “Preparação e Adaptação Climática Inovadora e Transformadora”.
A iniciativa é liderada pela Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), em parceria com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) e o Instituto Hondurenho de Ciências da Terra (IHCIT), com o objectivo de introduzir novas metodologias baseadas em evidências na gestão de riscos em Moçambique.
O Índice de Capacidade de Resposta a Desastres analisa quatro dimensões fundamentais: governação, infra-estruturas, serviços essenciais e participação comunitária, oferecendo uma visão abrangente sobre a capacidade dos municípios e instituições públicas de prevenir, responder e recuperar de desastres naturais.
A sua aplicação em Maputo constitui um marco na modernização da planificação multissectorial, permitindo identificar pontos fortes, fragilidades e prioridades estratégicas em diferentes áreas da resposta humanitária.
A ferramenta possibilita, pela primeira vez, quantificar o nível de preparação de cada instituição, melhorando o alinhamento entre sectores e promovendo uma governação climática mais integrada e eficaz.
Durante o exercício, foram analisados dados operacionais e infra-estruturais, simuladas em emergências e avaliados os mecanismos de comunicação de risco, com foco na redução de vulnerabilidades urbanas e no fortalecimento das capacidades locais de resposta.
Impacto nacional e referência regional
A implementação do ICR coloca Moçambique na linha da frente da inovação em gestão de desastres em África, reforçando o seu papel como país-piloto em metodologias de adaptação e prevenção climática. O uso da ferramenta contribui para melhorar a coordenação entre instituições públicas e comunitárias, otimizar recursos financeiros e fortalecer a confiança nos mecanismos de resposta rápida.
Com base nos resultados obtidos em Maputo, será possível definir padrões de referência nacionais sobre capacidade de resposta, apoiar a elaboração de planos distritais de resiliência e criar indicadores mensuráveis para monitorar a implementação de políticas climáticas.
A longo prazo, o ICR permitirá que autoridades locais planeiem de forma preventiva, integrando o risco de desastres nos orçamentos municipais e distritais e assegurando intervenções mais sustentáveis e inclusivas.
Os resultados do piloto em Maputo servirão de base para a expansão do ICR a outros distritos vulneráveis, nomeadamente nas províncias de Sofala, Zambézia e Cabo Delgado, frequentemente afectadas por ciclones e inundações. As etapas seguintes incluem a sistematização dos dados recolhidos, a capacitação de técnicos e gestores municipais e a integração do índice nos processos de planificação nacional de emergência.
Esta abordagem consolida o compromisso de Moçambique com uma gestão de risco moderna, participativa e baseada em evidências, reafirmando o país como referência continental na construção de comunidades resilientes e adaptadas às mudanças climáticas.





