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Moçambique conquista novo marco: TotalEnergies levanta cláusula de força maior e retoma mega-projecto de gás

Por Redacção Checka Moz.

Decisão histórica reforça confiança internacional e marca o regresso de um investimento de 20 mil milhões de dólares (cerca de 1,28 biliões de meticais) em Cabo Delgado.

O consórcio Mozambique LNG, liderado pela TotalEnergies, comunicou oficialmente à Presidência da República de Moçambique o levantamento da cláusula de “força maior”, que desde 2021 mantinha suspenso o mega-projecto de Gás Natural Liquefeito (GNL) na província de Cabo Delgado.

A decisão, confirmada esta sexta-feira, 24 de Outubro de 2025, representa um marco de confiança e estabilidade para Moçambique, abrindo caminho à retoma do maior investimento estrangeiro alguma vez realizado no país, avaliado em 20 mil milhões de dólares (cerca de 1,28 biliões de meticais).

Segundo fonte oficial da petrolífera francesa, citada pela agência Lusa, a Presidência moçambicana já foi informada por carta protocolar, e apenas falta a aprovação de uma adenda ao Plano de Desenvolvimento (PoD) com o orçamento e o cronograma actualizados para a reactivação plena das operações. “O consórcio Mozambique LNG tomou a decisão de suspender a ‘força maior’ e a Presidência moçambicana foi oficialmente informada”, confirmou a fonte da TotalEnergies.

Moçambique volta a afirmar-se como parceiro energético de confiança

O mega-projecto da Área 1 da Bacia do Rovuma, situado na península de Afungi, foi interrompido em 2021 devido aos ataques terroristas em Cabo Delgado. Agora, com o reforço da segurança e o regresso da estabilidade, o Governo e a concessionária consideram que estão reunidas as condições para a retoma em segurança e confiança.

“Estão reunidas as condições para o levantamento da força maior e aguardamos o pronunciamento da concessionária”, afirmara o Presidente Daniel Chapo no início de Outubro, aquando da assinatura da Decisão Final de Investimento (FID) da nova plataforma flutuante de GNL Coral Norte, avaliada em 7,2 mil milhões de dólares (cerca de 460 mil milhões de meticais) e operada pela Eni.

A decisão da TotalEnergies recoloca Moçambique no centro do mapa energético mundial, reforçando a posição do país como fornecedor estratégico de gás natural para a Europa e a Ásia.

Investimento estratégico e horizonte de crescimento

De acordo com o presidente da TotalEnergies, citado pela agência Lusa, Patrick Pouyanné, a produção do Mozambique LNG deverá arrancar em 2029, com uma capacidade anual estimada em 13 milhões de toneladas de GNL. O empreendimento encontra-se actualmente 40% concluído, e as equipas técnicas e logísticas já estão a ser remobilizadas no terreno. “Tudo está pronto. Estamos a reiniciar o processo com um plano actualizado. O objectivo é iniciar as operações em 2029”, explicou Pouyanné, durante um encontro com investidores em Nova Iorque.

O levantamento da cláusula de força maior simboliza não apenas a recuperação da confiança internacional, mas também o reconhecimento do progresso interno de Moçambique em matéria de segurança, governação e estabilidade macroeconómica.

Estabilidade, segurança e impacto social

O Presidente Daniel Chapo tem reiterado que a paz e a segurança são pilares essenciais para o desenvolvimento económico sustentável. Em Agosto, Moçambique e o Ruanda assinaram o Acordo sobre o Estatuto das Forças (SOFA), consolidando a presença militar ruandesa e o apoio conjunto ao restabelecimento da ordem em Cabo Delgado.

O Governo sublinha que milhares de deslocados regressaram às suas comunidades e que projectos sociais e infra-estruturais já estão a ser retomados na região. “Esta decisão da TotalEnergies é um voto de confiança em Moçambique. Demonstra que o mundo reconhece os nossos esforços pela paz e pelo progresso”, referiu o economista Egas Daniel, durante uma entrevista ao Telejornal da Televisão de Moçambique (TVM).

A retoma do Mozambique LNG deverá criar milhares de empregos directos e indirectos, fortalecer o fornecimento interno de energia e dinamizar pequenas e médias empresas moçambicanas envolvidas na cadeia logística.

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