O partido Aliança Nacional para um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA), liderado por Venâncio Mondlane, lançou uma auscultação pública com o objectivo de reforçar a participação cidadã e reivindicar maior inclusão no processo do Diálogo Nacional Inclusivo. A iniciativa surge em resposta ao que o partido classifica como “exclusão política e institucional” no actual modelo de concertação nacional.
O Diálogo Nacional Inclusivo, conduzido pelo Governo e mediado por interlocutores nacionais, tem enfrentado críticas por limitar a presença de formações políticas emergentes. A ANAMOLA denunciou a sua exclusão do Comité Técnico de Supervisão e, em 26 de Agosto de 2025, enviou uma carta formal ao Presidente da República, Daniel Chapo, solicitando a sua integração. O pedido ainda não obteve resposta oficial.
Auscultação alternativa e mobilização social
Como reacção, o partido iniciou, no começo de Outubro, uma auscultação pública independente, destinada a recolher opiniões sobre reformas constitucionais, legislação eleitoral e modelos de governação participativa. Apresentada em Maputo, a iniciativa pretende “preencher o vazio de participação” e criar um canal alternativo de diálogo entre partidos, cidadãos e sociedade civil. As propostas recolhidas serão posteriormente sistematizadas e remetidas às instâncias do Diálogo Nacional, caso a ANAMOLA venha a ser reconhecida como interlocutora legítima.
Debate político e divergências internas
Para Venâncio Mondlane, a exclusão de partidos sem assento parlamentar “contraria o princípio da inclusão democrática” e enfraquece o objectivo de um diálogo verdadeiramente nacional. “Não se pode falar de inclusão quando se restringe a participação a um grupo seleto de actores”, afirmou.
Contudo, analistas políticos alertam para o risco de isolamento do partido. O comentador João Massango observou que “a ausência da ANAMOLA não faz falta”, reacendendo o debate interno sobre se a criação de fóruns paralelos contribui ou não para a credibilidade política do partido.
Entre a inclusão e a resistência
Com esta acção, a ANAMOLA procura afirmar-se como força política activa num contexto de decisões concentradas nos partidos dominantes. A sua auscultação pública simboliza tanto um protesto político como um apelo à ampliação do espaço democrático “Queremos um diálogo inclusivo de verdade, onde todos os moçambicanos se sintam representados. Não se constrói paz duradoura com exclusão”, concluiu Venâncio Mondlane.
Implicações e leitura política
O caso evidencia as tensões entre representatividade e exclusão no panorama político moçambicano. Especialistas apontam quatro aspectos centrais:
Inclusão efectiva – O diálogo deve abrir espaço para novas forças políticas e movimentos cívicos.
Credibilidade institucional – A exclusão de actores relevantes pode comprometer a legitimidade dos resultados.
Pressão popular – A auscultação paralela pode estimular consciência cívica e responsabilização pública.
Risco de fragmentação – A multiplicação de fóruns paralelos pode enfraquecer o consenso e dispersar esforços.





