Um vídeo amador que circula nas redes sociais está a provocar forte controvérsia no cenário político moçambicano. O ex‑candidato presidencial e líder da ANAMOLA, Venâncio Mondlane, surge num momento de descontração e profere a frase: “É preciso criar incidentes para embaraçar as pessoas”.
A declaração foi interpretada por críticos como reveladora de uma estratégia política baseada na criação de tensão para manter os apoiantes mobilizados e garantir visibilidade. Analistas afirmam que Mondlane sugere que, sem incidentes, se torna mais difícil “potenciar” os seus seguidores, ou seja, mantê‑los engajados, indignados e prontos para a acção.
“É preciso criar incidentes para embaraçar as pessoas”, disse Mondlane, numa intervenção que rapidamente se tornou viral.
Debate sobre o termo “incidente”
A polémica intensificou‑se devido à ambiguidade da expressão. Para alguns, “incidente” remete para desordem; para outros, trata‑se de uma forma legítima de chamar atenção para injustiças e incoerências institucionais.
Segundo Dinis Tivane, a mera presença de Mondlane junto dos seus apoiantes detidos já constituiria um “incidente”, pois expõe fragilidades institucionais e embaraça quem ordenou as detenções.
“Incidente não é acidente. Incidente é obrigar uma autoridade a incidir a sua atenção numa questão relevante. É a capacidade de gerar incidência sobre um objecto em particular”, afirmou Tivane
No momento da gravação, Mondlane visitava apoiantes detidos numa esquadra, que alegavam ter sido alvo de detenções arbitrárias e maus‑tratos. A presença do político visava dar visibilidade ao caso e pressionar as autoridades a justificar as suas acções.
A frase de Mondlane, isolada do contexto, gerou interpretações divergentes e alimentou o debate político. Para os críticos, é prova de uma estratégia de tensão; para os defensores, trata‑se de uma forma de expor abusos e exigir responsabilização.





