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Suspeitas de gestão danosa levam à detenção de antigos directores da LAM

Por Redacção Checka Moz.

O Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC) confirmou a detenção de quatro antigos gestores das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), incluindo o antigo Director-Geral João Carlos Pó Jorge, o ex‑Director Operacional Hilário Tembe, o responsável das Finanças Armindo Savanguana, o chefe da Tesouraria Eugénio Mulungo e Anísio Machava, relacionado com a gestão logística de provisões de bordo.

Segundo fonte do GCCC, os detidos são suspeitos de envolvimento em actos de corrupção e má gestão, actualmente sob investigação.

As investigações revelam que os gestores terão participado em esquemas de sobrefacturação e pagamentos indevidos. Um dos casos mais graves envolve o catering da companhia, onde facturas de 7 milhões de meticais eram pagas por 15 milhões, sem qualquer explicação.

“Os casos estão relacionados com a compra de aeronaves e com a contratação de serviços de alojamento, catering e fornecimento de combustíveis. Estão igualmente sob investigação contratos celebrados sem a devida fundamentação legal”, disse Romualdo Johnam, porta-voz do GCCC.

Processos-crime instaurados

Na terça-feira (24), o GCCC anunciou a abertura de cinco processos-crime contra a LAM, que incluem:

  • Compra de aeronaves sem transparência
  • Contratos de alojamento, catering e fornecimento de combustíveis
  • Aluguer de um Boeing C37 para transporte de carga, que nunca chegou a operar por falta de licenciamento
  • Serviços de tradução com indícios de sobrefacturação ou contratos inexistentes
  • Memorando celebrado entre a Fly Modern Ark Airlines e o IGEPE, que terminou com a LAM novamente insolvente

“Mesmo sem o referido aparelho entrar em operação, terão sido efectuados pagamentos que resultaram em prejuízos para o erário público”, declarou Johnam.

Fly Modern Ark e a insolvência da LAM

A Fly Modern Ark Airlines geriu a LAM entre Fevereiro de 2023 e Setembro de 2024, contratada pelo Governo para recuperar a companhia de bandeira. Contudo, a gestão terminou com a empresa novamente em situação de insolvência, levantando sérias dúvidas sobre a transparência e eficácia do processo.

De acordo com fontes judiciais, existem cinco processos abertos com mandados de captura já assinados pelo juiz, e mais elementos da empresa deverão ser detidos nas próximas horas.

O GCCC aponta que os factos apurados até ao momento poderão configurar crimes de gestão danosa, abuso de cargo ou função, peculato e corrupção, ilícitos que serão confirmados ou não no decurso da instrução.

A detenção dos quatro antigos gestores da LAM marca um passo decisivo no combate à corrupção em empresas públicas estratégicas. As investigações revelam um quadro de má gestão sistémica, que inclui contratos ilegais, pagamentos inflacionados e decisões que agravaram a crise financeira da companhia aérea nacional.

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